terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

huatulco

tomando el desayuno estaban josé, ana de pamplona y mariú. mi hermana andaba por el sitio. era un hotel precioso. habia velas e incienso por todos los lados. yo buscaba a miguel para explicarle porque habia estado desaparecido por una semana. tenia la explicación perfecta. me habia llamado para acompañarle claudio naranjo. yo repetia para mi mismo, como un mantra, que no podia estar en dos sitios a la vez. me sentia ligero y muy seguro de lo que pasaba. me movia como un hombre lleno de valor.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

dois de paus

entrelaçados na cama, estávamos meus dois primos e eu. um deles inexperiente nas artes do homoerotismo. o outro parecia já saber muito. nos chupávamos os paus. eu queria ensinar ao inexperiente e fugir do que tinha grandes noções. acordei excitado.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

libertação

sei muito bem o que estou disposto a dar. é muito. podes tomar. ou não. podes querer. ou não. isso não modifica minha disposição. sinto. não está vinculado ao que sentes. se caminhamos juntos, será maravilhoso. se preferes andar só, seguirei com a minha disposição. ou não.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

carta a Flávio

Hoje, pela primeira vez na minha existência, que não é assim tão curta, chorei de felicidade. Ia dirigindo para casa na hora do almoço, ouvindo "si tu me dices ven", e as lágrimas rolavam pelo meu rosto. Levo o dia num estado de êxtase que poucas vezes atingi sóbrio. Algumas vezes cheguei até lá com auxílio químico, outras tantas, pelas mãos da meditação. Duas vezes por amor. Hoje é uma delas. A outra, foi nesta última passagem por Madri, um amor fraternal, ao ser coberto de carinho pelos meus amigos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

adulto

em madrid me olhei no espelho, na casa do José, e me vi homem, adulto, pela primeira vez em minha vida. meu atual momento é de expansão. e de viver essa maturidade. estou embarcando numa relação em que distinguo o que é o outro do que sou eu. há um elemento bastante novo para mim. me dei conta de que na relação com minha mãe os seus desejos tinham o peso de uma ordem. por conta disso, eu estava economizando para comprar o apartamento em que ela vive. ela deseja ter aquele apartamento. neste sábado, me senti mais adulto que nunca. e com o dinheiro economizado comprei um belo carro vermelho. é o primeiro carro que tenho que não foi escolhido por ela. é o carro de um homem adulto, que já não está disposto a ter seus movimentos ditados pela mãe.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

a semana dos que não foram

na terça, Ricardo não apareceu para a sessão de terapia. hoje, às dez para as oito, estava eu na ante-sala do Carlos Eduardo, meu dentista. havia marcado essa hora antes de viajar. mas eles se confundiram e passaram o meu horário para outra pessoa. o segundo encontro frustrado da semana. há um tempo, me queixaria e sairia dali com a impressão de que o mundo não me dá o tratamento que mereço ("eu mereço tudo e um pouco mais"). hoje, conversei com ele sobre o surto de febre amarela. e fiquei contente porque teria tempo de folhear a revista caras com tranqüilidade. nunca soube valorizar o que ia contra minhas expectativas. agora, começo a fazê-lo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

despedida

faz uns três meses, sonhei que Ricardo, meu terapeuta, chegava num bar em que eu estava com meus amigos. se aproximava de minha mesa e me apresentava uma conta astronômica, cobrando-me sessões que eu não havia tido. Eu ficava furioso e dizia: "você quer me cobrar por sessões que eu não tive?". quando contei a ele o sonho, chegamos a uma interpretação fascinante: eu já levava o processo terapêutico dentro de mim, mas ainda me recusava a pagar o preço disso. Na sessão seguinte, ele me pediu que lhe dissesse o que ainda podia fazer por mim, que já me via seguindo o meu caminho sem ele. Disse-lhe que o que poderia fazer por mim, era acompanhar-me ainda, não me abandonar naquele momento. Ele falou que respeitaria essa necessidade. Hoje retomaríamos a terapia, depois das férias de natal. Ricardo não apareceu. Justo hoje que eu tinha a intenção de despedir-me e dizer-lhe que agora sim sigo sozinho o meu caminho.